terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sobre as ondas

Nunca desceu do Virginian. Passou a vida indo e vindo sem querer chegar a algum lugar, qualquer lugar. Seu mundo eram as duas mil pessoas que conhecia a cada viagem. Seu mundo era aquele navio a vapor, uma ilha, cercado quase sempre de água por todos os lados.

E conforme descrito no texto do italiano Alessandro Baricco, ele não era uma daquelas pessoas de quem você se pergunta se está ou não feliz. Novecentos parecia acima dos socos e pontapés do inesperado, das punhaladas da frustração do desejo.

Capacidade, inata ou desenvolvida, invejável. Pelo menos nos trechos de infelicidade do percurso – seja na terra ou no mar.

Tentou pisar em solo firme certa vez, mas a imensidão o impediu: “Não foi o que vi que me parou. Foi o que não vi. Havia tudo, mas não havia um fim.”

As teclas do seu piano têm limite: são 88. E Novecentos se perguntou como os que vivem no continente fazem para escolher, diante de tantas opções, uma rua, uma mulher, uma casa, uma paisagem para olhar.

...

Faltará, certamente, consistência nas respostas. Mas que clareie a consciência.

Um comentário:

Rê disse...

Apareceu a margarida!!!! Estou aqui acompanhando essa nova fase, viu?, transparente nos textos. Bjs