quarta-feira, 3 de março de 2010

Uma metrópole que pensa ser província

Na Sete de Setembro, uma estranha pergunta:

– Você é parente da Vanda?

Estava pronta para negar. Foram tantos anos passados longe da cidade natal que é improvável ser associada a algo ou alguém, principalmente no centro financeiro da capital, por onde circulam milhares de pessoas todos os dias.

Por aquelas ruas de paralelepípedo que nos anos 1990 pisei com tênis de estagiária de jornalismo, me sentia uma turista com um pouco mais de conhecimento acerca das esquinas e muitas recordações.

Enquanto a cabeça tendia como se equilibrasse dois pratos em uma balança quase com o mesmo peso, me lembrei de que o improvável às vezes se realiza – talvez para pôr em xeque a força suprema da racionalidade. Nesse instante, interrompi o meneio.

– Tenho uma tia que se chama Vanda.
– É uma senhora de rosto fino, muito branca, com olhos pequenos e cabelos lisos?
– Sim, sim.
– Ela tem irmãs, não é?
– Tem. Pela descrição, é a minha tia. Mas como você descobriu?
– É que você se parece muito com ela, só que bem mais jovem.

A estranha é atendente de uma empresa de plano de saúde. Depois dizem que essas coisas só acontecem nas novelas de Manoel Carlos.

2 comentários:

Márcio disse...

Vi,se essas coisas só acontecem nas novelas de Manuel Carlos eu não sei mas sei que tudo de mais inusitado pode acontecer com você. Beijos

Márcio disse...

Tentei falar com você várias vezes, mudou de celular? Mandei um email, respodende que estou com saudade.