quinta-feira, 18 de março de 2010

Releitura do aprisionamento



Quis umas horas de lazer. É diferente de quando você assiste a uma aula estupenda. Nesse caso, você é movido pelo desejo de aprendizado, ainda que aquele tempo seja prazeroso.

Busquei o prazer do hedonismo grego e tive a oportunidade de ler melhor o mundo – que precede a leitura da palavra, segundo Freire, e exatamente por isso é o componente principal do processo formativo.

Pelos olhos de Juan José Campanella, cujas imagens foram refletidas nos meus, percebi a injustiça contida na pena de morte para as vítimas do crime hediondo.

Fui absolvida da culpa intrínseca ao desejo de asfixia desses seres que não são humanos, menos ainda bichos. Fui absolvida por mim mesma, mas não porque tenha concedido a mim o perdão, mas porque me ausentei do condenável correspondente durante o cinema-catarse.

Restou, porém, a singularidade da exceção: para os relacionamentos como o de Benjamin e Irene que não têm o mesmo desfecho, a injustiça está na prisão perpétua. Aí a pena de morte é a libertação da vítima e de todos os envolvidos.

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