domingo, 6 de setembro de 2009

Dia de paella, outro de bife

Quem não conhece o lendário Nhoque da Fortuna? Ia perguntar quem nunca experimentou o tal nhoque, mas logo mudei de ideia porque sou a primeira a responder não. Não como massas, exceto pizza. Mas quem já ouviu falar ou experimentou a Paella do Riso? Riso não é nenhum novo e badalado restaurante, tampouco o sobrenome de um chef emergente.

Neste domingo nublado e mais preguiçoso do que os outros, decido resgatar o sabor vindo da região de Valência e pôr à mesa uma paella de frutos do mar. Para compartilhar comigo a iguaria, que em idos do século XV os camponeses espanhóis cozinhavam com carnes de caça, Dona Sandra e Waguinho.

Douro os pimentões vermelhos no azeite de oliva e, após reservá-los, aproveito o azeite para realçar o sabor dos tomates em cubos. Um minuto depois, vão para panela os camarões, as lulas, os mexilhões e o polvo, juntamente com o açafrão e os demais temperos. Mexo os ingredientes em fogo médio, despejo o arroz branco e, por fim, a água e o sal. Espero secar, distribuo os pimentões e exibo a travessa como se fosse uma medalha de honra ao mérito.

Até aí, nenhum problema. O cheiro é convidativo e a aparência, de encher de água bocas que apreciam o prato.

Suspeito de que há algo de errado com a pergunta do Wagner:

– Viviane, a comida é só isso?

Sem entender, devolvo com outra pergunta:

– Como assim? É paella e salada.
– Mas além do arroz, não há uma carninha?

Antes que eu pudesse responder, minha mãe cai no riso.

Ao servir os pratos, as carnes se desnudam e os dois voltam a rir de esvaziar a boca e encher de água os olhos. Dona Sandra aponta para os anéis de lula e os pedaços de polvo com expressão de nojo e seleciona arroz e pimentão, enquanto Wagner faz piada:

– É, Dona Sandra, vão os anéis e também os dedos.

Apesar de humilhada, até eu chorava de rir com um troço de polvo que de fato lembrava um dedo. Na tentativa de acabar com aquela gozação, recorro à chantagem emocional:

– Vocês são dois ingratos. Nunca mais faço paella pra vocês!

Não dizem que mãe é mãe? Pois, então:

– Nunca comi com tanto prazer. Prazer por saber que será a última vez que serei obrigada a comer essa paella. Waguinho, a paella de agora em diante será sempre "pra ella".
– Pois é, Viviane, cumpra com a sua palavra e nunca mais faça paella pra nós!

Não sei como não nos engasgamos. Na verdade, sei sim. Não nos engasgamos porque não comemos muito.

Nenhum comentário: