segunda-feira, 6 de julho de 2009

Discurso sobre o método

Indignada com o desrespeito de uma colega de trabalho, outra colega, em uma crise de fúria controlada, cuspiu feito fogo: “Por essas e outras, quando meu filho é bem sucedido, seja na escola ou fora dela, digo que cumpriu apenas uma obrigação. É bom que desde cedo ele aprenda que não deve esperar reconhecimento e ternura do mundo”.

A conversa seguiu, mas meu pensamento empacou como mula velha e geniosa. Quem garante que a criança, ávida por um elogio, um afago que nunca vem, não será mais um adulto deformado? Um adulto perfeccionista, tirano, carente e infeliz?

Tratei de apaziguar a dúvida sobre o método. Mesmo que quisesse, minha natureza jamais permitiria que eu o aplicasse. Que meu filho se decepcione com o mundo lá fora, porque todo preparo realístico, ainda que em tubo de ensaio, é insuficiente diante da fealdade da selva humana. Mas de mim ele receberá o que espero (ilusoriamente) das pessoas.

2 comentários:

Rogério disse...

Carinhosa e protetora do jeito que é, você deve nascer de novo para aplicá-lo em alguém, principalmente um filho...

Anônimo disse...

Crianca tem q ter carinho,amor reconhecimento, atencao... Essa mulher está é despejando as frustracoes dela no filho. Uma pena.
Uma pena ser uma pessoa tao ressentida e sem fé no futuro..sem esperanca. Isso nao é viver..
beijo, Vivi!