quarta-feira, 24 de junho de 2009


Se Nietzsche também tomou assento na plateia do Plínio Marcos no último domingo, deve ter berrado nos ouvidos dos espíritos capazes de escutá-lo. Provável que, caso ainda esteja apegado à matéria, tenha deixado o teatro com uma daquelas crises de dor de cabeça que o cegaram tantas vezes. Compreendo-o. Aliás, sou plenamente solidária a ele.

!Zaratustra! para ser peça, ainda que apenas inspirada nas ideias do filósofo alemão, carece de texto e ator. Como performance, precisa de dança e ritmo. Não tenho a pretensão de substituir Bárbara Heliodora e conquistar todo o ódio daqueles que foram duramente (e algumas vezes injustiçadamente) avaliados pelos seus olhos de crítica ferina. Com respeito ao Núcleo Taanteatro, que trabalhou com seriedade, a peça é resultado daquilo que o pensador tanto rechaçou, como a superficialidade das coisas e das pessoas e a valorização da aparência.

O espectador volta para casa da mesma forma que chegou. Se foi vazio, sai vazio. A diferença está no grau de irritabilidade, a depender da tolerância quando se tem a sensação da perda de tempo. Exagero. Há sempre aqueles que não só se mostram, como se julgam, espíritos evoluídos no entendimento das artes pioneiras e não compreendidas, para justificar cada ato e classificar a peça como pós-moderna.

Todo esse blá-blá-blá pode ser resumido com uma frase do também professor de Filologia Clássica em Assim Falou Zaratustra – um livro para todos e para ninguém: “A grandeza do homem é ser ele uma ponte, e não uma meta; o que se pode amar no homem é ser ele uma transição e um ocaso”. A peça é uma transição, uma ponte entre aquilo que não é e algo que quer ser sem saber ao certo o que.

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