quinta-feira, 18 de junho de 2009

Originalidade tem limite

Com pressa para ir ao trabalho, uma menininha fantasiada de coelho que passava na rua de mão dada a uma senhora interrompeu a enxurrada de pensamentos desconexos que tomavam conta de mim para dar vazão a uma sequência lógica de raciocínio. Lembrei-me de quando naquela idade fui à escola com a mesma fantasia.

Estava no Jardim de Infância e a 'tia' disse que os alunos deveriam no dia seguinte ir fantasiados de um animal. Mamãe estranhou a solicitação da professora, principalmente devido ao prazo. Argumentou Dona Sandra: "Ela deve ter dito que quem tem uma fantasia, pode ir com ela amanhã. Não é o seu caso". Fiz aquela cara que toda criança nasce sabendo para conseguir tudo o que quer e desfilei faceira disfarçada de coelho, colecionando elogios dos vizinhos e daqueles que passavam até o caminho da escola.

Na entrada do colégio, mamãe e eu percebemos que havia algo errado. As crianças, acompanhadas de suas mães, seguravam gatos, puxavam coleiras e exibiam passarinhos em gaiolas. Todas elas uniformizadas. O recado da professora foi para que os alunos levassem seus animais de estimação. Claro, aqueles que tinham um. Meus colegas e suas mães, inclusive a 'tia', que depois encarnou o papel de educadora, riram do que meus pais chamaram de criatividade.

Porque todos os pais são parcialmente cegos para as besteiras que os filhos fazem, por solidariedade ou simples estratégia de persuasão para que eu fosse à escola na semana seguinte, eles ainda me convenceram de que eu era a criatura mais original do mundo.

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