segunda-feira, 25 de maio de 2009

Quem dá mais?

Em palestra sobre Análise de Custo e Benefício a que assisti hoje, muito se falou sobre monetização da vida. Isso porque a chamada ACB é usada para avaliar soluções a problemas sociais não resolvidos pelo mercado, estejamos ou não em um governo de bandeira liberalista.

Sabemos que o bacalhau da Noruega é bastante valorizado, mesmo em datas em que a tradição não regra o menu, mas o que muitos desconhecem é que um norueguês vale mais de R$ 85 milhões. Tanto é que o governo daquele país decidiu converter 120 cruzamentos potencialmente perigosos em balões para evitar 0,42 morte/ano. No Brasil, provavelmente, as obras só seriam feitas em duas situações: caso a taxa chegasse a 400 mil mortes/ano ou se os cruzamentos convertidos em balões fossem convertidos em votos.

Discussão anterior ao custo estimado de uma vida, seja aqui ou na China, é o próprio ato da monetização. Se, por um lado, é imoral colocar preço em nossa existência, assim como se faz com um bem de consumo, a argumentação contrária é a de que a não valoração pode deixar de salvar mais vidas ao mesmo custo ou o mesmo número de vidas a um custo menor.

Os critérios para valoração da vida são vários: desde a idade do indivíduo até o produto do seu trabalho. Assim, um Machado de Assis valeria ouro com brilhantes aos 100 anos. Enquanto alguns rapazes e moças de 20 podem não custar um anel de prata. Essa monetização, digamos, racionalizada, não leva em conta aspectos subjetivo-afetivos.

Uma vida que, para muita gente, vale menos que um vintém, para os pais do sujeito pode valer milhões. De qualquer forma, é como se fosse um objeto antigo que nem o antiquário comercializa porque não tem valor do tempo passado, mas tão somente valor sentimental atribuído por meia dúzia de pessoas.

Convido vocês – excluindo pais, mães, filhos, amigos e inimigos, amores e dissabores – a fazer um exercício de monetização da vida. Quem valeria milhões de reais e quem não valeria um tostão?

2 comentários:

Anônimo disse...

Se é para excluir parentes e amigos, fico com Elis Regina. Ela valeria muitos milhões. Quem não vale nada é o monstro Alexandre Nardoni.
Lúcia

Anônimo disse...

Vivi, tem muita gente que não vale nada e muita gente que vale muita coisa. Entre os que valem muito, voto em Chico Buarque. Beijo, Carmem