quarta-feira, 13 de maio de 2009

E que tudo mais vá pro inferno

Como não sou representante do povo, posso me lixar para a opinião pública. Já Sua Excelência, o senhor deputado Sérgio Moraes, não! Opinião pública, no caso de anônimos como eu, significa as pessoas com as quais convivemos por relação de sangue, por força da obrigação ou por afinidade. Poder nos lixar, de fato, podemos. Mas será que não estamos mesmo “nem aí” para a opinião alheia?

Não é bem assim que a coisa funciona; até para os mais psicanalisados. Talvez para os espíritos evoluídos. Mas até hoje não conheci um. Ouvimos muita gente bater no peito e afirmar que está se lixando para o que os outros pensam a seu respeito, mas dizer é bem diferente de experimentar e receber com tranquilidade incólume uma crítica ou o sentimento da rejeição.

Somos gregários; desejamos ser aceitos, fazer parte de um grupo, seja ele religioso, social, profissional. Necessitamos ardentemente da mentira de que não estamos sozinhos em nossas vidas para dar conta de viver, para sobreviver.

Sim, há momentos em que temos vontade de mandar o mundo se lixar, porque o mundo, longe de pelo menos aquiescer o que há em nós de diferente, de original, tenta nos homogeneizar, quer nos condenar a determinados padrões, e quem não cumpre as regras corre o risco de ser rechaçado ou estereotipado.

Fundamental, porém, é essa relação entre as espécies humanas. Pelo menos para aqueles que também comungam algo da filosofia existencialista de Sartre. Não me conheço integralmente sem os olhos dos outros. Necessito da convivência para me perceber por inteiro.

Às vezes não gostamos do que percebemos. Na maioria das vezes só alguns poucos desses que compõem o “nós” se percebem. Os outros tantos estão cegos em olhar e apontar com insistente arrogância os problemas alheios.

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