quinta-feira, 2 de abril de 2009

Vida de cachorro

Os flanelinhas costumam ser odiados – ou pelo menos desprezados – por 10 em cada 10 motoristas. Eles se apropriam indevidamente do espaço público, cobram por serviços que não prestam e alguns deles estão envolvidos com furto, roubo, tráfico e outros crimes. Se o Detran resolvesse expandir a iniciativa do Procon de São Paulo e organizasse um cadastro para bloquear o assédio dos flanelinhas, a aceitação seria tão popular quanto a dos consumidores que não querem ser importunados por um operador de telemarketing que “estará vendendo” algum produto ou serviço.

Felizmente, minha experiência com eles não é marcada pela violência. Mas, sim, pelo abuso. Já escutei de um desses, que passava o dia no Ministério da Educação, comentários sobre o carro que combina mais comigo. Certo dia, cheguei para trabalhar com um Ford Ka vermelho, do modelo antigo, e o flanelinha, nas horas vagas personal stylist, disse que eu ficava mais bonita dentro da “joaninha”. Carros robustos, como o irmão de fábrica EcoSport, não caem bem em mim porque sou “miúda”. Aspas nas palavras dele. O que miúda significa para uma mulher brasileira com 1,66 de altura não sei. Pode ser sinônimo de magra. Como à época não malhava diariamente, não julguei a crítica grave.

Mudei alguns endereços, mudaram os flanelinhas, mas não a intimidade que eles parecem ter comigo, apesar de eu nunca tê-la concedido. Ao chegar hoje no estacionamento, o flanelinha avisa pleonasticamente que cuidou do meu carro. Lembro a ele que estaciono sempre naquele lugar e que não pagarei propina todos os dias. Temi ouvir reclamações e xingamentos, mas não. Ele sorriu e se lembrou do “nosso acordo”. Não sei quando fiz acordo com ele, mas vamos em frente. Nesse caso, de marcha ré. Dou partida no carro e ele dispara: “Você é educada e bonita igual a Kelly Key. Você é muito parecida com ela. Só falta cantar”. Como se o que ele considera elogio não fosse suficiente, entoa desafinado: “Vem aqui que agora eu tô mandando, vem meu cachorrinho, a sua dona tá chamando”.

Quem me conhece, ainda que pouco, pode imaginar minha cara de cachorra louca. Nada mais me falta mesmo...

5 comentários:

Fábio Barros disse...

Hahahahaha
Posso imaginar sua cara e seus pensamentos. Antes tivesse dado umas moedas a ele... Esses caras são f***.
Beijos

Renata disse...

Adorei...
É assim mesmo q acontece.
No meu trabalho, dei mutia sorte de ser ao lado de uma quadra residencial, eu estaciono na 402 sul. Não tem flanelinha me enchendo. Por sinal o flanelinha do estacionamento local do prédio do meu "trampo", vc não vai acreditar, tem funcionário. Outro dia estava calculando o quanto esses funcionários ganham... pô, se naquela época do meu desemprego soubesse desse trampo teria me oferecido.
O "dono do estacionamento" recebe no mímino R$ 30,00 de cada "cliente", com isso, adquiriu um belo sobrado em Taguatinga. Entendeu, casa própria... Sei q lavar carros todos os dias é f..., mas é brincadeira...
Beijos.

Renata disse...

Agora que eu entendi como aparecem os comentários, vc precisa aceitar...
Ainda bem que resolvi ler acima antes de fazer um novo texto... hahahahahaha

Renata disse...

Aproveitando esse espeaço, vou mandar o endereço do seu blog pra minha prima Geiza, que mora no Rio, tá?! Ela é uma pessoa legal e jornalista... se bem que essa última parte não tá valendo muito, ne?!

Renata disse...

Cansei de escrever, tá?!