sábado, 18 de abril de 2009

Mais do mesmo



Quando adolescente tentamos provar ao mundo que somos diferentes de nossos pais. Queremos ser nós mesmos, genuinamente autênticos, a despeito dos genes e do ambiente em que nos criamos. Importante é distanciar-nos do legado.

À medida que passamos tempo, as coincidências evidenciam que nos esforçamos pouco ou que apesar de todo nosso esforço nos parecemos mais com eles do que eles próprios. Reforçamos comportamentos criticados por alguém que fomos vestidos de outra idade.

Nossos filhos se não são, assim provavelmente serão.

Eis que me pego, então, com uma xícara de café fumegante nas mãos e com crises de abstinência quando a infusão não vem ao meu encontro nos períodos de pico de vontade, assim como minha mãe. Café mais forte e sem açúcar.

Eis que me pego, então, com a cara afundada na leitura, enquanto reclamam minha ausência, assim como eu reclamava a atenção de minha avó, mãe de minha mãe, quando na varanda de nossa casa ela prometia brincar comigo tão logo passasse mais umas folhas – intermináveis à vista da impaciência pueril que resiste até hoje – do Jornal do Brasil.

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