sexta-feira, 13 de março de 2009

Sobre baratas e homens

A superstição do povo é tanta que, antes de sair da cama nesta sexta-feira, 13, por via das dúvidas, peço que meu anjo da guarda esteja atento a todas as situações de perigo que possam me envolver. A noite se pronuncia tranquilamente e até então nenhum indício de que este seja um dia agourento.

Cumprindo à risca o mandamento de 2009, vou para academia. Cinquenta minutos de exercícios aeróbicos combinados com movimentos que exigem força me fazem tatear até o chuveiro. Debaixo da ducha forte, tento recarregar o ânimo intercalando água quente e fria. O corpo cansado sequer permite que o pensamento entre em ação.

É nesse estado de torpor e satisfação com a liberação de endorfinas poderosas que me deparo com uma barata lutadora de sumô. Nunca vi bicha tão gorda, e justamente em uma academia! Ela era preguiçosa – ou desafiadora - e não esboça reação quando seu olhar cruza com o meu. O que fazer? Saltar nua feito canguru clamando a ajuda de dezenas de mulheres que, como eu, têm pavor de barata e o máximo da solidariedade seria afinar o grito? E se um homem tivesse que entrar no vestiário, quem pegaria minha toalha e tudo mais na cabine? Não tinha escolha. Precisava extirpar o mal pela raiz, ou melhor, pelo esqueleto da barata (que o Greenpeace não passe por aqui). Foi assim que, numa ação de pura coragem, talvez a mais corajosa de toda a minha vida, dei uma chinelada na barata.

Plach!

Mas ela não morreu de súbito. Virada de barriga pra cima – haja abdominal para dar jeito naquela barriga – tentava se reerguer. Poderia, logicamente, deixá-la e encontrar outra cabine porque agora tinha tempo para me embrulhar na toalha e recolher xampu, calcinha, condicionador. Não, não podia fazer isso. Era uma questão de honra. Também fiquei com receio de que ela, apesar de gorda e lerda, conseguisse voltar à vida e fosse atrás de mim para a revanche. Quem sabe ela não era mágica ilusionista, assim como o mais novo namoradinho de Suzana Vieira? Vamos aguardar as cenas de escândalo dos próximos capítulos.

Enchi-me de coragem outra vez e empreguei a força que ainda restara para mais duas chineladas.

Plach!
Plach!

Jazia uma barata. Deus permita que ela não seja Gregor Samsa, o caixeiro-viajante de Franz Kafka. Ou outra metamorfoseada. Bastam as culpas que carrego e tento me livrar a duras penas no divã.

Saí da academia com o peito estufado, orgulhosa de mim. Porque, como se sabe, essa fobia é majoritariamente feminina. A proporção é de oito ou nove mulheres para cada homem que tem medo de barata. Há, inclusive, um livro do Henfil, “Diário de uma Cucaracha”, que estampa no canto inferior direito da capa uma barata e que tem uma edição especial para a mulherada, com tarja branca sobre a ilustração.

É, mulheres, não precisamos mais deles nem para matar baratas! Mas somos primitivas românticas; e nos apaixonamos às vezes.

4 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns pelo blog! Tava buscando uma coisa no google e encontrei ele. Muita engraçada o que escreve. Vou ficar leitora
Abraço, Inês Carvalho

Lúcia disse...

Parabéns. Você já está ficando independente.

Abraço, Lúcia.

Anônimo disse...

Vivi matando barata? Será que é outra que não a que conheço? Bj, Márcia

Anônimo disse...

Três comentários e os três de mulher, por que será? A senhorita anda muito engraçadinha desdenhado de nós. Sorte a nossa que vocês se apaixonam. Beijos do Gus