quarta-feira, 18 de março de 2009

Idos à Lapa (Parte II)

Um dia não foi suficiente para concluir o trabalho a que se entregavam. Se a decisão coubesse a Luiz Bernardo ou se ao menos fosse ele o presidente da comissão, o arranjo das atividades teria sido outro. Ele deixava evidente toda insatisfação em cada gesto impregnado de impaciência; impaciência permeada por estágios de apatia quando julgava a discussão sobre o plano de providências equivocada.

O pernoite no Rio de Janeiro era a possibilidade de um contato não profissional entre os dois e a fome foi o pretexto ideal à aproximação. Assim, quando depois de comer e já preparada para dormir, Helena recebeu a ligação de Luiz Bernardo para jantar, não hesitou. Abandonou às pressas a camisola branca sobre a cama e pensou que, com esforço, poderia mordiscar alguma coisa.

Eles foram a um bar tradicional de Copacabana, que há 52 anos abria suas portas de mercearia e vendia também sanduíches. Transformado em restaurante, conserva os pães, montados com fartas camadas de carne, queijo e abacaxi. O ambiente nada romântico deixava Helena mais confortável, afinal a sugestão partira dela, mas não era o local apropriado para duas pessoas se conhecerem.

A conversa teve início com banalidades sobre apreensões da cidade hospedeira e gostos corriqueiros para, então, passar ao campo exploratório. Enquanto o discurso racionalista tenta afastar o desejo para desnudar a verdade e a psicanálise busca o desejo que o discurso procura esconder, o diálogo estabelecido por Luiz Bernardo e Helena ocultava ambos: desejo e verdade.

A noite terminou com uma despedida formal e o entusiasmo de Helena. Luiz Bernardo não é homem que se deixa levar por marés e voltou para o hotel apenas animado com a companhia de uma mulher que parecia interessante.

2 comentários:

Anônimo disse...

Cadê o resto da estória? Estou curiosa. Publique logo o próximo capítulo!!!! Beijo, Márcia

Viviane disse...

Ô, ansiedade! Beijos