terça-feira, 3 de março de 2009

Estado de graça

Não lembro quando estive no Maracanã pela última vez. Talvez em 1985. Talvez não. Pode ser que a memória me traia ao gravar a partida mais marcante. Era menina e, como milhares de cariocas, fui assistir à final da Taça de Ouro entre Bangu e Coritiba. A decisão foi nos pênaltis, para azar do Ado, que chutou pra fora. Incrível a capacidade de preservação da memória afetiva. É vívida a tristeza que caminhou pelo corredor silencioso e à época pouco iluminado do estádio. Mas a história do último domingo foi diferente.

Setenta e cinco mil pessoas, ou melhor, torcedores do querido Botafogo estiveram no Maracanã para a final da Taça Guanabara contra o Resende. Para além da felicidade do três a zero, num ano de recessão para o bicolor, a emoção de retornar ao estádio após tantos anos para ver o meu time num domingo ensolarado de brisa e com uma torcida que deveria se portar assim em todos os estádios do País, independentemente do placar.

Por que alguém torce para um determinado time? No meu caso, como chuto (espero fazer gol) ser o de pelo menos 70% da gente, influência do pai. Meu pai, à época sem um varão para levar aos jogos, soltar pipa e jogar gude, fez de mim mascote do Botafogo. E lá ia Viviane impecavelmente trajada para entrar em campo de mãos dadas com um jogador e tirar a foto oficial da partida. Até que um dia, por pura manha ou porque estava já grandinha demais para o ofício, me recusei a entrar. Encerrou naquele dia minha carreira de mascote.

Não sou fanática por futebol. Tampouco acompanho as várias etapas dos campeonatos. Sou torcedora de finais, quando meu time participa delas. Mas o carinho pelo clube perdura ano após ano, mesmo sem uso. Carinho passado de pai pra filha. Carinho que jamais será esquecido, mesmo que o Botafogo tivesse sido campeão apenas em 1910.

Ao deixar o Maracanã naquele início de noite, cantei silenciosamente o samba que papai cantarolava pra mim naqueles bons e inesquecíveis tempos:

Oh Coisinha tão bonitinha do pai
Oh Coisinha tão bonitinha do pai

Você vale ouro
Todo meu tesouro
Tão formosa da cabeça aos pés
Vou lhe amando
Lhe adorando
Digo mais uma vez
Agradeço a Deus porque lhe fez

Oh Coisinha tão bonitinha do pai
Oh Coisinha tão bonitinha do pai


Essa é pra você, paizinho!

5 comentários:

Anônimo disse...

Sensível e delicado como você é. Saudade de nossos papos, Valéria

Anônimo disse...

Vi
Se eu não fosse homem apenas no gênero casava com você e nunca mais te largava! É ruim que eu deixaria escapar uma mulher como você. É ruim mesmo.
Desnecessário assinar...

Anônimo disse...

Sensível e delicada, proposta de casamento e o que mais? Vou criar um blog também para ouvir tudo isso. Hahahaha. Você merece. Beijo, Márcia.

Anônimo disse...

No meu caso vc fez gol. Herança do pai. Quando você volta? Beijos do Gus

Viviane disse...

Olá, pessoal! Obrigada por tudo, especialmente pelo carinho. Quando bate a preguiça, penso em vocês e logo me animo a escrever. Beijo a todos