sexta-feira, 20 de março de 2009

Idos à Lapa (Parte III)

Eles se reencontraram quatro dias mais tarde, por e-mail. Luiz Bernardo enviou mensagem a Helena para corrigir uma informação do documento produzido na reunião do Rio de Janeiro que ninguém, nem ele próprio, julgava importante: uma sigla. Essa foi a estratégia que ele encontrara para retomar o contato sem se expor, porque, na pior das hipóteses, caso Helena o rejeitasse, havia o álibi do profissionalismo.

Assim teve início a longa troca eletrônica, com mais de duas centenas de mensagens enviadas e recebidas. Eles escreveram sobre quase tudo. Palavras cheias de desejo contido e provocações veladas inundavam a tela do computador continuamente, bem como revelações pueris como preferências sobre as estações do ano e o clima.

Helena não entendia por que o reencontro presencial tardava, uma vez que o interesse era recíproco. Em princípio, o trabalho demasiado exaustivo dele e a jornada de pai separado explicavam a situação, mas com o passar do tempo as razões pareceram frágeis. Frágeis como desculpas que eram.

Luiz Bernardo, após um casamento destruído que o deixou com sequelas, há dois anos namorava uma jovem senhora que como ele tinha a responsabilidade de criar filhos. Havia carinho, respeito e, sobretudo, amizade. Faltavam, no entanto, sentimentos que distinguem amigos de amantes. Mas Luiz Bernardo estava disposto – ou parecia estar – a sublimar esses sentimentos em nome do conforto de uma união que lhe conferia a segurança de que ele necessitava para planejar sua vida com tranquilidade.

Nenhum comentário: