segunda-feira, 9 de março de 2009

Certezas absolutas

Controverso filósofo alemão do século XIX, Nietzsche afirmou que o sistema de pensamento de um filósofo é resultado de sua autobiografia. Não acho que seja apenas o do filósofo, mas o de todos nós. Pelo menos daqueles que pensam e que pensam sobre o pensamento.

Se pensamos a realidade a partir de nossas experiências, o real é tão somente uma ilusão, porque cada indivíduo faz a sua leitura dos fatos. A realidade de alguns minutos, portanto, não pode ser capturada. E não estou me referindo a interpretações. Porque aí a miscelânea seria maior.

Tão complexa quanto o real é a dialética entre os sujeitos. O senso comum costuma dizer que você nunca conhece completamente alguém. E por quê? Porque somos seletivos a respeito do quanto revelamos e do que revelamos sobre nós. Mas não apenas.

A comunicação em si dificulta o conhecimento completo e verdadeiro. Há um fluxo sinuoso até chegar a um conceito ou a uma simples descrição de algo ou de alguém. Nossa mente vê imagens, imagens que necessariamente são decodificadas em pensamentos comunicados pela linguagem. Em um processo comunicativo entre duas pessoas, o receptor da mensagem, que mais adiante se tornará emissor, precisa fazer todo o caminho de volta.

Quem garante, então, que nos caminhos das várias codificações e decodificações não traímos a nós mesmos? Ninguém. Porque somos traídos por nós e desenvolvemos relacionamentos autistas com o outro, a quem julgamos conhecer. Amamos, nos apiedamos e odiamos muitas vezes nossas criações.

Que tanta certeza essa gente evoca e em nome dela age?

(...)

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