domingo, 15 de fevereiro de 2009

Filosofia de mão dupla

Algumas vezes fiz o trajeto Sudoeste – Lago Norte. Todas elas de carro. Nunca cogitei a possibilidade de utilizar outro meio de transporte. Avião? Impossível. Charrete? Até poderia, porque nunca vi tanta carroça na rua. E logo na capital do País. Mas não seria o caso. Tenho pena daqueles animais. Helicóptero? Talvez no futuro, quando o trânsito ficar como o de São Paulo. De bicicleta? Haja pernas.

Num momento em que ponho meus limites à prova – ou os estou conhecendo; fui, sim, de bicicleta do Sudoeste até o final do Lago Norte. O destino era a casa de um amigo, que nos aguardava para o almoço. A mim e a outra amiga, uma amiga cármica, uma quase-irmã, meu espírito-afim, como diria Fausto.

Lá fomos nós com todos os apetrechos: luvinhas, óculos de sol, boné e cantil. A descida do Eixo Monumental nos encorajou e pensamos (pelo menos eu pensei) que poderia chegar até Sobradinho com mais algum treino. Qualquer coisa que eu escreva sobre o vento no rosto, a alegria infantil e a sensação de prazer estendida não dará conta do que vivi e, pior, soará brega.

Platão, filósofo ateniense do século IV a.C., disse que o pensamento é a conversa da alma com ela mesma. Nunca minha alma tagarelou tanto. Pensava ela em tantos assuntos, saltando de um a outro, como um macaco de galho em galho. Entre esses tantos pensamentos, que toda a tristeza é causada por pessoas infelizes. A essa altura estava na última descida do Eixão. Provo isso numa retrospectiva rápida – até porque se aproximava o trecho mais difícil do percurso – da minha vida. Os momentos de infelicidade levaram a sofrimento e preocupação meus e das pessoas que me amam. Fazer o meu contentamento, portanto, não é apenas algo desejável por mim, mas um bem que ofereço ao mundo.

A subida para entrada no Lago Norte arranca fôlego de toda parte do corpo. A cada pedalada, o topo parece mais distante. Fico tentada a descer e empurrar a bicicleta. Então me lembro de algo que li recentemente sobre a felicidade não ser um golpe de sorte, mas consequência de um esforço pessoal, que exige compromisso, dedicação, vigília e força, não exatamente a que eu fazia, mas aquela que vem da vontade, do quanto você deseja e quer.

Fim dos 24 quilômetros. Início da Era de Aquário.

2 comentários:

Anônimo disse...

Vi, como vai a academia? E a dieta assistida? Quero saber dos progressos :)
Beijo do Gus

Viviane disse...

Cem por cento de aproveitamento desde o dia da matrícula. Perdeu dinheiro quem apostou que eu desistiria na segunda ou terceira semana. E toda a malhação combinada com uma dieta equilibrada. Resultado atestado pela nutricionista ontem: ganho de dois quilos em massa, já que o percentual de gordura baixou de 14,3% para 12%. Não preciso dizer que estou boba, boba com esses números, né?!