sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O sabor do improviso

Chamo a garçonete e pergunto se os pratos estão a caminho de nossa mesa, afinal, passaram duas horas desde a escolha. Ouço, sem querer:

– Estamos improvisando. Daqui a pouco chegam.

Atônita pensei duas coisas nos segundos de que dispunha até a resposta:

1- Por que não avisaram que “improvisariam” a comida? Se assim fosse, não teria optado por um surubim ao molho de aipim com camarão. Logicamente pediria bife com fritas.

2- Sinceridade também passa do ponto. Se não disseram no ato da saudação inicial que estavam improvisando alguns pratos – ou todos – deveriam pelo menos omitir a informação até que fôssemos embora.

– Como é? Vocês estão improvisando?, pergunto após a conversa silenciosa comigo.

O casal da mesa ao lado quebra o tabu da iluminação à luz de velas e gargalha sonoramente.

Alguém pondera – não eu, ainda anestesiada pela fome e pela informação que acabara de receber – se a garçonete não quis dizer “estamos providenciando”, como as operadoras de telemarketing. Ela se corrigiu e eu preferi acreditar que o mal-entendido não foi na cozinha, mas nas aulas de Língua Portuguesa.

Improvisado ou não, o prato estava uma delícia, bem como a companhia e o Segredo (não o filme, livro, bíblia para aqueles que acreditam; mas a bebida feita com cachaça, licor de cassis e maracujá).

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