quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Fé: a certeza do que não se vê

Mais um ano tem início e com ele a renovação das promessas. Cada qual com a sua. Terminar o curso de Inglês, perder peso, começar uma especialização, alimentar o vazio espiritual, encontrar um novo amor. De todas, a única que não depende exclusivamente da vontade do sujeito ativo é a última. E, assim sendo, deixo o tema em repouso para outra prosa.

Tornando-me regra, também fiz algumas promessas para este ano. Entre elas, me matricular, novamente, em uma academia. Agora não me lembro bem, com todo aquele alvoroço da queima de fogos em Copacabana, se prometi apenas fazer a matrícula ou freqüentar, com assiduidade pleonástica, uma academia. Esquecer, em sua raiz, está intrinsecamente relacionado ao instinto de sobrevivência, à auto-preservação. Esquecendo-me da exatidão do que prometi, lembro-me da possibilidade de libertação da culpa, ainda que fantasiosamente.

Pelo menos parte da promessa foi cumprida hoje. Estou devidamente matriculada em uma academia. Curioso que os donos de academia são psicólogos também. Eles sabem que o primeiro impulso de alguém sem convicção é apenas um movimento a esmo, sem valor, inclusive monetário. Por isso oferecem garrafinhas de água, chaveiros, toalhas de rosto e descontos atrativos a quem pagar seis meses, em um ano que promete, com convicção, ser de recessão econômica.

E, no caso deles, dos donos de academia tão somente, a mensagem é clara e objetiva. Não tem Freud, Lacan e nenhum sujeito inconsciente e enganado. Se não educa o ânimo por meio das inúmeras experiências, adestra-o por força da sociedade capitalista e da mais-valia.

Ao contrário do que pode parecer, estou bastante animada. Também foi assim das outras vezes, mas como diria o meu amigo, o meu amigo Roberto Carlos, “daqui pra frente, tudo vai ser diferente”. E como mãe que troca o filho de escola sem número de vezes, acreditando cegamente que o problema é a professora incompetente, a diretora mercenária, o projeto político-pedagógico retrógrado ou tudo isso junto, menos o filho, é claro, lá vou eu confiante que essa academia é diferente.

Na pior das hipóteses, como o filho da mãe aí em cima, cumpro a obrigação de estar fisicamente naquele espaço. Não para comer merenda, até porque inclusive os mais antigos já falam fazer lanche na hora do intervalo. Mas para, quem sabe, assistir ao jornal em uma daquelas telas planas de muitas polegadas, fazer sauna, escovar e passar chapinha nos cabelos (Tem piastra no vestiário!) ou, mais prazeroso, tomar um guaraná, logicamente diet, vestida como esportista e apreciar os músculos masculinamente definidos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Vivi, vc é uma comédia!!!! Nesses tantos anos de vida, claro que não vou revelar quantos são, nunca conheci ninguém como vc. Sempre que lembro de vc, lembro de vc sorrindo, fazendo alguma graça, mostrando o mundo a alegria de viver e encantar. Te adoro! Bjins, Valéria