quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Índia nova na tribo

Índia nunca foi tão disputada. Não por ser nova na tribo. Mas porque na tribo faltam índios especializados em algumas artes. Dois caciques fizeram reunião para negociar o destino da Índia. E acordaram sem acordo, na base do grito, que Índia ficaria em uma oca, a oca de quem a conquistou primeiro - e não a oca a qual, regimentalmente, por estrutura de seu nascimento, Índia pertence.

Justo. Gerar é tão somente gerar. Conquistar requer esforço, vigília, força de vontade, desejo, reconhecimento da qualidade do objeto e, claro, alguma sedução.

Ávidos em possuir a Índia, os caciques não consultaram o pajé, que se incumbe da mediação entre os espíritos e o resto da tribo. O pajé lá estava sereno e plácido, ouvindo os planos de controle e de poder dos caciques. A vida na tribo é aquilo que é, enquanto os caciques fazem planos e a deixam escapar.

Pajé em silêncio pensava: ninguém decide o destino dessa índia. Índia arisca faz o próprio destino.

Caciques e índios que tivessem consultado Pajé, apesar de a força da tradição, desconfiariam da revelação do xamantismo: Índia aparentava docilidade e submissão.

E Índia apenas sorria. Não o sorriso dissimulado de Dom Casmurro. Porque não fora questionada. Sorria o sorriso daqueles que sabem o seu caminho.

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