quarta-feira, 10 de outubro de 2007

A Índia é logo aqui

Já fui a algumas festas bastante irreverentes. Mas a de ontem vai entrar para a lista das mais loucas. Na verdade, esperava uma festa careta para um coquetel de boas-vindas aos participantes do MIPCOM. Pelo menos foi o anunciado no convite que recebi. Como estava muito cansada (continuo dormindo de madrugada e levantando às 7h), pensei ir direto ao hotel. Mas resolvi fazer um esforço, já que não é sempre que se tem uma oportunidade como essa.

Saí do evento, no Palácio dos Festivais, e fui para o Majestic Hotel, um Copacabana Palace de frente para o Mediterrâneo. O cheiro de incenso no ar e dois elefantes com a bunda virada para a entrada denunciavam o que seria o tal coquetel pseudo-careta. Umas indianas me receberam e puseram um pano em volta do meu pescoço. Era, na verdade, o passaporte para as mil e uma aventuras.

A cada passo, uma surpresa. Os salões foram enfeitados com véus e outros apetrechos em tons avermelhados. A luz era difusa. No salão principal, vejo um homem com turbante na cabeça em cima de uma tenda em formato de cama. Ele dançava assimetricamente e pilotava o som. Embaixo, dava gente de todas as tribos e todas as tribos se soltavam, embaladas pelo espumante free. Viva a França!

Foram organizadas mesas no estilo self-service. O problema é que não havia identificação e você não sabia se colocava cachorro ao curry, pato no tucupi ou gato guisado no prato. Reconheci, de olhar, apenas dois pratos: um arroz embolado com umas coisas estranhas e um espeto frito que tinha o rabo do camarão de fora e parecia ser um croquete em formato de salsicha. Pus algumas daquelas coisas não identificadas no prato. À primeira garfada, fiquei lívida. O tempero era forte e picante. Apesar disso, segui com minha experiência gastronômica, que encerrou na sobremesa, com uns cremes de sabores desconhecidos.

Em uma dessas investidas à mesa de quitutes indianos, tomei banho de um molho que parecia tártaro. Uma japinha descuidada derrubou todo o líquido justamente na minha calça preta do terninho filho único que trouxe na mala. Foi tudo tão rápido que, quando me dei conta da desgraça, a japinha já estava alisando as minhas pernas com guardanapos nas mãos enquanto entoava o mantra: “Sorry, sorry, sorry, sorry”. Ficar suja na festa era o que menos importava. Não conseguia parar de pensar que o terninho tinha saído da mala naquele dia e eu contava com ele para outras ocasiões. Fazer o que? Torcer para ninguém derrubar mais nada em mim nas próximas horas.

Depois de umas apresentações de dança indiana, do banho de tártaro e de algumas taças de espumante, resolvi voltar à realidade do meu hotel. Nada de vista para “le mer” e, sim, para a casa do vizinho, um homem de quase dois metros de altura que acorda por volta de 7h todos os dias, pelo menos desde que cheguei aqui, e toma café puro enquanto assiste a um noticiário na tevê.

Adeus banheiros sofisticados do Majestic! O meu é um cubículo de 1 x 1 com uma privada, onde é preciso entrar de ré e sair de frente. E o chuveiro? Ah, o chuveiro é artigo de luxo e completamente dispensável. Imprescindível mesmo é a Guerlain.

2 comentários:

Anônimo disse...

Um dia casa, no outro festa maluca. Tá bom por aí, né? RM

Anônimo disse...

Ai, ai, que festa! E quanto dinheiro envolvido!!

Ruim mesmo é voltar para o pesadelo depois do sonho! :-)

Beijos,
Vander