segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Um dia na academia

Aprecio imprimir força ao teclado; exceção à regra é quando se trata de redigir a dissertação. De resto, ainda sobre forças, só aquelas que são prazerosas e feitas a dois (ou, para quem curte, a três, a quatro...). Apesar disso, insatisfeita com meu ritmo de vida e preocupada com a qualidade dela, fiz matrícula em uma academia. Se eu fosse convidada a integrar à equipe de lingüistas que elaboram os dicionários, criaria outro sinônimo para o substantivo comum: lugar onde se reelabora a cultura masoquista.

Escolhi um programa que inclui diversas modalidades, muitas delas uma incógnita, como Body Pump e Jump Fit. Incógnitas menos por falta de domínio daquela língua que por desconhecimento do que seria feito com meu corpo. Lá fui eu para o primeiro dia de aula. Parecia uma verdadeira atleta. Cotton grudado à pele, mochilinha nas costas e um bonito rabo-de-cavalo. Minha disposição minguou quando entrei na sala espelhada e conheci a professora e meus colegas: todos sarados, com músculos à flor da pele.

A professora ordenou que eu preparasse uma barra com dois quilos para me juntar ao grupo. Foram 60 minutos de morte lenta, ou súbita, depende do ponto de vista. O último exercício obriga você a erguer a barra sobre a testa e no ritmo da música. Claro que fiz o primeiro da série e descansei a barra no abdômen. Meus braços começaram a tremer e pensei que é melhor ficar com bíceps e tríceps flácidos do que sair com o rosto esfacelado.

Dois dias depois eu ainda xingava Fabiana, a professora. Ninguém entendia por que eu andava desconjuntada no trabalho. As maledicentes devem ter imaginado noites tórridas de amor selvagem.

Voltei, então, para que outro professor preparasse minha série na musculação. Fiquei feliz porque ele disse que meu percentual de gordura é baixo e que tenho corpo de esportista. Só falta a disposição. Mas isso ele não demorou a perceber. Colocou-me quase de cabeça para baixo num daqueles equipamentos de tortura e mandou que eu empurrasse. "Não vai. Acho que está quebrado. Vamos para outro", respondi. Ele não se conteve e, claro, começou a rir. Aproveitei o momento de distração e mudei o pininho de lugar, de 80 para 40. E ainda fiz chantagem: "Se não pegar leve, ficarei apenas com a Fabiana". Puro blefe.

Depois de passar por alguns dos tantos aparelhos, fui enviada à esteira novamente, como punição. Era muito cedo para eu ir embora da academia. Dessa vez, obedeci, já que André tinha cedido em várias ocasiões. Estou na esteira, quase desfilando e já me sentindo uma atleta, quando passa uma parente da Rebeca (a Gusmão). Para minha humilhação, ela escolhe a esteira ao lado da minha, coloca velocidade 15 e com inclinação. Como tudo sempre pode piorar, em seguida aparece o professor perguntando se eu estava me sentindo bem com a velocidade 6 e, claro, pista plana. Respondi baixinho que sim e quis saber quando eu ficaria com o corpo da Rebeca ao lado. Ele titubeou e eu evitei o constrangimento: "Ok, André! Nunca, eu sei".

Para meu consolo, ele falou que eu não ficasse triste e que são poucos os homens que se sentem atraídos pela Rebeca. Imploro aos céus que esses nunca sejam aqueles por quem me apaixono.

Na saída, ganhei o sábado. Uma mocinha perguntou há quanto tempo eu malhava para ter o corpo atual. Abri um largo e aliviado sorriso e disse: "Desde segunda-feira e minha alimentação é baseada em pudins, sorvetes de chocolate e muita torta cubana do Seu Antônio".

5 comentários:

Anônimo disse...

Vivi, como sempre eu dou boas risadas contigo e sinto saudades!dessa vez resolvi escrever também...

eu tomei um decisão muito sábia há um tempo atrás: nunca mais me matriculo em academias. É que eu tenho pouco dinheiro para fazer doações, sabe?

isso mesmo: nunca mais! Eu estou livre desta praga (desculpe a empolgação mas é que me dá uma puta satisfação, uma vontade de gritar e dançar quando eu falo isso). Acho academias de ginástica os lugares mais hediondos da face da terra, com a gente mais bizarra do mundo! Um anúncio de uma academia ali no Flamengo, no Rio, pra mim é tudo! Imprimiram um cartaz ENORME na parede do lado de fora... o detalhe é que a imagem mostra uma gostosona e um malhadão SOMENTE do pescoço para baixo, ou seja, os dois estão SEM cabeça. Essa daí não precisa de Freud para explicar, né?

na minha penúltima tentativa, já há algum tempo, quando o professor malhadinho me perguntou, com aquela carinha muito séria dele, qual era o meu objetivo, eu respondi, ainda mais séria: "Se eu passar de um mês aqui dentro, já tou satisfeita". Ele fez uma cara estranha, do tipo: de onde saiu essa louca? Bom, você já deve ter adivinhado o que aconteceu (ou o que não aconteceu, no caso). Foi mais um dinheirinho jogado no lixo. Sabiamente, eles cobram uma porrada de taxas, sempre no primeiro mês. E aqueles lugares que oferecem descontos se a pessoa paga seis meses adiantados? Fuja, que é hospício!!!!!!

já fui praticante séria de atividades físicas em outros tempos... eu não acho masoquismo, sério... e tenho saudades da minha barriguinha sarada, como eu tenho... eu até gosto de caminhar, de correr, de nadar, e de pedalar... o problema dessas porras são os professores... também
fiquei com vontade de matar essa tal Fabiana... são uns sádicos filhos-da-puta!

eu queria ter uma piscina enorme na minha casa e nadar quando tivesse vontade. Mas é claro que também gostaria de ser a maior gostosa da paróquia só fazendo isso, quem sabe uma, duas vezes por mês... rsrs

outro dia encontrei com uma menina que estudou comigo há muitos anos. Ela era magérrima. Eu também já fui magérrima... conversamos, falamos das crianças, e "last, but not least", nos queixamos dos quilos a mais (e olha que nós duas não somos as primeiras da fila no quesito baranguice, mas também tamos longe do fim dela!!!).

depois desse encontro, fiquei pensando nas minhas amigas, e em como o tempo fez mal a algumas, e bem a outras... infelizmente, eu tou no primeiro grupo: hoje mesmo fiz as contas e engordei onze quilos nos últimos anos! e te incluí no segundo: vc não mudou nadinha desde o tempo em que nos encontramos! continua magrinha, em forma, e minha conclusão é bem anterior a sua descida a esse Hades equipado com modernos pesinhos e estranhos aparelhos de tortura e suplício.

então, minha conclusão é: mande essa Fabiana se f... e relaxe!

beijos (e risadas)
Renata

Anônimo disse...

Eu podia jurar que você iria narrar uma aventura do seu mestrado ao ler o título...

Academia de ginástica? Para quê, Viviane?

Beijos, Vander

Anônimo disse...

Adorei e, lógico, rolei de rir! Parabéns! Eu só não sei se eu vou resistir e deixar de enviar para
a minha lista de endereços (você me autorizando farei sem culpa). Conheço algumas pessoas que estão precisando rir e não têm dinheiro para pagar terapia (risos 1000!). Ana

Anônimo disse...

Hahaha. Esse texto poderia ser disseminado pela web; muitas mulheres se identificariam com o que vc escreveu.

Quanta falta de vontade, hem?!! Quanta moleza!! Sorte sua que Papai-do Céu te deu esse corpinho magrinho... ah se fosse gordinha...

Edu

Anônimo disse...

Persista na malhação!

Beijocas

Cris